Lula se reuniu nesta terça-feira (28) com o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, após declarações do presidente argentino Javier Milei que expuseram o petista e o ministro Alexandre de Moraes ao ridículo. Milei acusou o governo de liderar uma campanha “anti-Argentina” e voltou a chamar Lula de “presidiário”. A reunião buscou avaliar os impactos das falas do líder argentino e discutir os próximos passos da diplomacia brasileira diante da crise.
O encontro ocorreu depois de o governo Lula convocar Bitelli para consultas, em resposta às críticas feitas por Milei durante a convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Segundo relatos, o diplomata informou que recebeu manifestações de solidariedade ao Brasil de setores da sociedade argentina, mas também destacou a repercussão negativa das acusações contra o petista. Apesar da tensão, integrantes do governo afirmam que não haverá medidas que prejudiquem a população argentina, mantendo a prioridade nas relações comerciais e institucionais.
Nos bastidores, auxiliares de Lula avaliam que a aproximação de Milei com o senador Flávio Bolsonaro e o apoio público do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reforçam a tentativa de mostrar que o campo conservador não está isolado. A leitura é de que esses movimentos buscam fortalecer a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) junto à direita internacional, considerado estratégico para a campanha de Flávio. Bitelli seguirá à frente da embaixada em Buenos Aires, sem previsão de retorno imediato ao Brasil.

