Lula da Silva parece ter voltado ao manual político que o consagrou nos anos 2000: falar mal dos adversários para tentar disfarçar os próprios fracassos. Sem nada novo a oferecer, Lula recorre ao ataque sistemático contra Jair Bolsonaro e sua família política, como se a demonização do rival fosse suficiente para apagar os números preocupantes de sua gestão. Mas os dados não mentem: o país enfrenta déficits recordes, estatais em colapso e uma percepção de corrupção que voltou a níveis alarmantes.
O rombo fiscal é talvez o retrato mais claro da incapacidade do governo em lidar com a realidade. Em apenas três anos, o Brasil saiu de um superávit em 2022 para um déficit acumulado de mais de R$ 1 trilhão em 2024. As estatais, que haviam se recuperado durante a gestão anterior, voltaram ao vermelho, com os Correios projetando perdas próximas a R$ 10 bilhões em 2025. A flexibilização da Lei das Estatais, que abriu espaço para indicações políticas, transformou empresas estratégicas em cabides de emprego. Lula pode culpar o “mercado” ou a “herança” de Bolsonaro, mas os números pertencem à sua própria administração.
Na tentativa de equilibrar as contas, o governo recorreu ao aumento de impostos — nada menos que 27 vezes em três anos. A chamada “taxa das blusinhas”, que penaliza consumidores de baixa renda, é apenas um exemplo da criatividade tributária que sufoca a classe média e desestimula investimentos. Enquanto isso, a inflação oficial permanece dentro da meta, mas o custo de vida real, aquele sentido no supermercado e na conta de energia, continua corroendo o poder de compra das famílias. É o velho truque de maquiar estatísticas enquanto a população sente o peso no bolso.
A corrupção, marca registrada dos governos petistas, voltou a assombrar o país. O Brasil caiu para a 107ª posição no Índice de Percepção da Corrupção, e casos como a fraude bilionária no INSS reforçam a sensação de impunidade. O STF, ao dificultar o avanço de investigações sobre esquemas que poderiam envolver ministros da corte e outros grandes nomes da política, contribuiu para a desconfiança internacional e para a percepção de que o sistema político brasileiro protege os poderosos. Lula, que se apresenta como defensor da democracia, parece mais interessado em preservar aliados e parentes.
Na segurança pública, o quadro é igualmente preocupante. Embora os índices de homicídios tenham caído, em parte graças a gestões como as de São Paulo e Rio de Janeiro, que priorizam o combate a grupos marginais, facções criminosas expandiram sua influência sobre instituições estatais, especialmente no Norte e Nordeste — territórios considerados redutos petistas. O crime organizado se fortalece enquanto o governo insiste em políticas sociais de clientelismo, que pouco fazem para enfrentar a raiz do problema. A retórica de Lula contra Bolsonaro não esconde o fato de que o Estado brasileiro está cada vez mais permeável ao poder paralelo das facções.
As pesquisas de opinião confirmam o desgaste. Em março de 2026, a desaprovação do governo superou consistentemente os 51%, com intenções de voto para 2026 mostrando empates técnicos entre Lula e Flávio Bolsonaro. O presidente ainda lidera entre os mais pobres e no Nordeste, mas até nesses redutos sua popularidade começa a oscilar. A estratégia de atacar Bolsonaro pode até mobilizar a militância, mas não convence o eleitorado que sente na pele os efeitos da má gestão.
Em suma, Lula tenta renovar sua imagem atacando Bolsonaro, mas o país enxerga o mesmo velho personagem: um líder que governa com base no clientelismo, no aumento de impostos e na tolerância à corrupção. O Brasil precisa de soluções concretas, não de discursos inflamados contra adversários. E os números mostram que, desta vez, a retórica não será suficiente para esconder a realidade.








