A Europa busca ampliar seu papel na guerra entre Rússia e Ucrânia e se preparar para um cenário de menor influência dos Estados Unidos. Líderes europeus discutem o reforço de suas capacidades militares para apoiar Kiev. O primeiro-ministro britânico, Sir Keir Starmer, defendeu o envio contínuo de tropas para a Ucrânia com o objetivo de manter um cessar-fogo e conter futuras ofensivas russas.
O especialista em Relações Internacionais da FGV, Pedro Brites, avalia que a Europa tenta se reorganizar rapidamente para garantir sua segurança e influência no conflito. Ele destaca que reuniões recentes entre líderes europeus buscaram fortalecer a defesa do continente, considerando até mesmo iniciativas como uma força militar conjunta e o desenvolvimento de capacidades nucleares. “Os últimos encontros entre os líderes europeus e a tentativa de conseguir uma unidade da defesa continental me parecem bastante relevantes”, afirmou à CNN.
A movimentação europeia também é reflexo da redução do apoio militar dos Estados Unidos à Ucrânia, aumentando a pressão sobre o bloco para adotar uma postura mais ativa. A reunião entre Zelensky e líderes da União Europeia foi um passo importante para que a Ucrânia mantenha sua posição nas negociações, enquanto a Rússia impõe condições como a anexação de territórios ocupados. O avanço das tropas russas fortalece a posição de Moscou, dificultando a busca por um acordo favorável aos interesses ucranianos.