O Japão acaba de dar uma aula de soberania e responsabilidade econômica. Quase 15 anos após o trauma de Fukushima, o governo japonês autorizou a reativação de Kashiwazaki-Kariwa, a maior usina nuclear do planeta. Com sete reatores e capacidade de 8 gigawatts, a usina volta a operar para garantir o que o “idealismo verde” muitas vezes ignora: estabilidade de preços e segurança nacional.
A decisão marca uma inflexão estrutural. O Japão entendeu que, para uma potência industrial, depender exclusivamente da intermitência de fontes renováveis ou da volatilidade dos combustíveis fósseis importados é um suicídio econômico.
Diferente da narrativa de “renováveis ou nada”, o Japão adotou uma estratégia híbrida. A energia nuclear reassume o papel de energia de base — aquela que não falha quando o sol se põe ou o vento para.
Redução de custos: menos dependência de gás e petróleo caros.
Competitividade: energia estável para manter as fábricas funcionando sem risco de apagão.
Segurança máxima: a reativação ocorre sob protocolos sísmicos e de emergência muito mais rígidos, provando que a tecnologia evoluiu.
O movimento japonês ocorre no momento em que o Brasil discute os dilemas de Angra 3 e o custo da nossa própria matriz. Enquanto o governo Lula flerta com o populismo ambiental para agradar plateias europeias, o Japão — que vive sob risco real de terremotos — escolhe o caminho da razão para proteger seu PIB e seu povo contra a inflação energética.
A transição energética japonesa é pragmática: a meta de neutralidade de carbono até 2050 não será atingida com discursos, mas com a combinação eficiente de renováveis e a potência inigualável do átomo.









