Haddad vê efeito positivo do tarifaço e afirma que Lula não dirá “I love you” a Trump

Redação 011
2 Min
Fernando Haddad aguarda posição dos militares para anunciar corte de gastos
foto: Diogo Zacarias/MF

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta terça-feira (29) que o aumento de 50% nas tarifas sobre produtos brasileiros imposto por Donald Trump pode trazer efeitos positivos à economia interna, ao forçar uma maior oferta de produtos no mercado nacional. Segundo ele, com a restrição do acesso ao mercado americano, empresas brasileiras seriam obrigadas a redirecionar suas vendas ao Brasil, o que pode pressionar os preços para baixo. “Vai eventualmente fazer os preços domésticos do Brasil caírem, porque vai aumentar a oferta dos produtos em território nacional”, declarou à CNN Brasil.

Apesar do suposto benefício ao consumidor, Haddad admitiu que haverá impactos negativos para as empresas exportadoras, que precisarão se adaptar, podendo recorrer a demissões e cortes de produção. Questionado se a queda nos preços não viria à custa das empresas, o ministro desconversou: “Às vezes, não. Por isso que estamos pensando nas empresas. O ponto número 1 é proteger o emprego no Brasil”, respondeu. O governo estuda medidas para mitigar os efeitos do tarifaço em setores como o de carnes, frutas, café e suco de laranja.

Mesmo diante da gravidade da situação, com o início da nova tarifa previsto para 1º de agosto , Haddad indicou que ainda não há articulação direta entre Lula (PT) e Trump. Ele defendeu uma aproximação “respeitosa” e sem “vira-latismo”, mas descartou uma postura de submissão, ao afirmar que o chefe petista não pretende “abanar o rabo” nem dizer “I love you” ao americano. Enquanto isso, senadores brasileiros que viajaram aos EUA no fim de semana sequer conseguiram marcar reuniões com representantes da Casa Branca.

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