O Palácio do Planalto apresentou nesta quinta-feira (12) o que pode ser chamado de “obra-prima” da engenharia contábil. Segundo o decreto de programação orçamentária do Ministério do Planejamento, o governo projeta um déficit de R$ 1,074 bilhão para as empresas estatais em 2026. No entanto, o número só é possível após o governo “esconder” mais de R$ 14 bilhões em rombos operacionais.
Sem os abatimentos e as manobras autorizadas pelo Congresso no fim de 2024, o déficit primário das estatais saltaria para R$ 15,308 bilhões.
O truque dos descontos
Para chegar ao número “mágico” de R$ 1 bilhão, o governo aplicou um desconto de R$ 4,2 bilhões referentes a investimentos do PAC e, o mais grave, um “abatimento de emergência” de R$ 10 bilhões destinado a empresas em crise profunda. Essa regra foi criada especificamente para evitar que o colapso financeiro dos Correios destruísse a meta fiscal do governo.
Correios e o fundo do poço
A situação da estatal de logística é dramática. A estimativa oficial é que os Correios fechem 2026 com um prejuízo de R$ 8,2 bilhões, superando o rombo de 2025. Outros destaques negativos no “cemitério de estatais” incluem:
Emgepron: Déficit projetado de R$ 17,8 bilhões.
Hemobrás: Rombo estimado em R$ 8,5 bilhões.
Infraero: Perda prevista de R$ 4,3 bilhões.
Gestão técnica ou política?
Enquanto os números gritam socorro, o Ministério da Gestão tenta mudar a régua da discussão, alegando que o “resultado primário” não reflete a saúde das empresas. O mercado, porém, lê o cenário de outra forma: o uso das estatais para obras de infraestrutura e cabides políticos está cobrando um preço alto.
Em 2025, o déficit total das estatais já havia sido de R$ 5,13 bilhões. O salto para R$ 15 bilhões em 2026 (sem maquiagem) mostra que a deterioração das contas públicas sob a gestão petista não é mais uma previsão, mas uma realidade consolidada.










