Estudo alerta para o extermínio de 600 mil empregos com fim da escala 6×1

Redação 011
3 Min
Estudo alerta para o extermínio de 600 mil empregos com fim da escala 6x1
foto: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil

O debate sobre a extinção da jornada de trabalho 6×1 ganhou um balde de água fria vindo de dados técnicos nesta quarta-feira (4). Um estudo detalhado do Centro de Liderança Pública (CLP) projeta que a aprovação da proposta no Congresso Nacional pode causar um efeito devastador no mercado de trabalho formal, com a eliminação de mais de 600 mil vagas de emprego.

O prejuízo em cifras: R$ 88 Bilhões

O impacto não se restringe apenas ao desemprego. Segundo a nota técnica, a mudança forçada na jornada laboral retiraria cerca de R$ 88 bilhões do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o que representa uma queda de 0,7% na economia nacional. O aumento automático do custo da hora trabalhada, sem o correspondente aumento da produtividade, é apontado como o principal vilão do cenário.

Comércio e construção civil no alvo

Os setores que mais empregam no Brasil seriam os mais penalizados pela medida:

Comércio: Lidera o ranking de destruição de postos, com previsão de 164,1 mil demissões.

Construção civil: Projeção de corte de 45,7 mil vagas.

Agropecuária: Estima-se a perda de 28,4 mil postos formais.

Para o CLP, a manutenção do salário mensal com menos horas trabalhadas pressiona as margens das empresas. Enquanto grandes companhias podem tentar se adaptar com tecnologia, a pequena e média empresa — o coração da economia — será forçada a reduzir sua escala de operação ou repassar o custo diretamente para o consumidor, alimentando a inflação.

O alerta internacional

O estudo utilizou a experiência de Portugal como espelho. No país europeu, a redução da jornada de 44 para 40 horas resultou em um recuo de 1,7% no nível de emprego e uma queda superior a 3% nas vendas. No Brasil, o risco é que a “bondade” legislativa em ano de eleição empurre milhares de trabalhadores para a informalidade ou para a fila do desemprego.

Mudar a economia por decreto nunca funcionou. O que gera bem-estar é o aumento da produtividade e a liberdade para contratar, não o engessamento das relações de trabalho. Ao tentar “dar” mais tempo livre ao trabalhador por força de lei, o Congresso pode acabar dando a ele o tempo livre forçado do desemprego.

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