O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, determinou a prisão do principal opositor ao seu governo, o prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, sob acusações de corrupção. A detenção ocorreu poucos dias antes da oficialização de sua candidatura à presidência pelo Partido Republicano do Povo (CHP), aumentando a repressão contra a oposição. A medida gerou uma onda de protestos inédita no país desde 2013, levando o governo a impor restrições à circulação de pessoas e a proibir reuniões públicas até quarta-feira (26).
A repressão governamental não se limitou às ruas. A plataforma X revelou que a Turquia ordenou o bloqueio de mais de 700 contas de jornalistas, políticos e organizações de notícias, o que, segundo a empresa, prejudica a liberdade de informação no país. “Acreditamos que esta decisão do governo turco não apenas é ilegal, mas também impede que milhões de usuários tenham acesso ao debate político”, informou a rede social em comunicado. Além disso, pelo menos 300 manifestantes foram presos em nove cidades durante os atos contra a prisão de Imamoglu.
O prefeito, que foi retirado do cargo no mesmo dia de sua detenção, nega as acusações e classifica o processo como uma perseguição política. “Vamos arrancar de raiz este golpe, esta mancha negra em nossa democracia. Me mantenho firme, não me renderei”, declarou Imamoglu na rede social X. Seu partido considera as acusações um “golpe de Estado” contra a oposição e anunciou que entrará com recurso para reverter a decisão judicial. Erdogan, no poder há mais de duas décadas, prometeu não ceder “ao terror da rua”, reforçando sua posição contra os protestos.