A decisão de Gilmar Mendes, que modificou as regras de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), provocou forte reação no Congresso Nacional. Parlamentares afirmam que a medida representa uma tentativa de blindagem da Corte e pressionam o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a restabelecer as prerrogativas do Legislativo. A iniciativa de Gilmar, que passou a exigir maioria de dois terços dos senadores para avançar em denúncias contra ministros, foi interpretada como um ataque direto às competências constitucionais do Senado.
Na quinta-feira (14), deputados e senadores se mobilizaram para apresentar uma proposta de emenda constitucional (PEC) que devolva aos cidadãos o direito de denunciar ministros por crimes de responsabilidade e restabeleça a previsão de maioria simples para afastamento. Alcolumbre divulgou nota afirmando que não hesitará em defender as prerrogativas do Congresso e sinalizou apoio à tramitação da PEC. Parlamentares da direita, como Flávio Bolsonaro (PL-RJ), classificaram a decisão de Gilmar como uma afronta à separação dos Poderes e alertaram para o risco de crise institucional. O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que a medida busca impedir o impeachment de Alexandre de Moraes a partir de 2027, quando a direita poderá conquistar ampla maioria no Senado.
Na Câmara, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) apresentou proposta que impede interferência judicial em processos de impeachment conduzidos pelo Senado. A Comissão de Constituição e Justiça aprovou ainda projeto que limita o poder do STF de criar normas provisórias em substituição ao Congresso. Senadores como Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Jorge Seif (PL-SC) reforçaram que o Legislativo não pode se tornar figurativo diante de decisões monocráticas da Corte. A reação evidencia a mobilização do Congresso, considerada tardia por analistas, em frear o avanço do STF e reafirmar sua autoridade constitucional.

