O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que o Brasil caminha para uma “ditadura real” e pediu apoio internacional para evitar que seu julgamento avance sob o comando do Supremo Tribunal Federal (STF). “O Brasil não tem como sair dessa situação sozinho”, declarou Bolsonaro ao Financial Times, sugerindo que a interferência externa é necessária para conter a consolidação de uma ditadura de esquerda no país. O posicionamento do ex-presidente vem após a Primeira Turma do STF rejeitar questionamentos de sua defesa e dar continuidade ao processo que pode torná-lo réu.
A acusação contra Bolsonaro inclui suposta tentativa de golpe e conspiração com militares para se manter no poder, além de alegações de que havia planos para atentar contra a vida de Lula da Silva (PT). O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, argumentou que houve “ataques sucessivos à democracia” e defendeu o prosseguimento da ação penal. A Procuradoria-Geral da República citou declarações públicas e documentos que, segundo a denúncia, comprovariam a articulação do ex-presidente para desacreditar o processo eleitoral e fomentar instabilidade política.
Bolsonaro tem reforçado críticas ao STF e a Moraes, a quem acusa de perseguição política. “Ele já tem a sentença para mim, 28 anos de prisão”, disse o ex-presidente, alegando que o objetivo final seria sua eliminação: “Eles me querem morto”. Eduardo Bolsonaro (PL-SP), deputado federal e filho do ex-presidente, sugeriu que sanções internacionais contra Moraes poderiam ser uma resposta, mencionando a Lei Magnitsky dos Estados Unidos.