O regime iraniano, responsável pela morte de mais de 43 mil pessoas em protestos internos, se voltou contra Israel e os Estados Unidos ao acusá-los de suposto genocídio. A denúncia foi feita pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, durante sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, nesta sexta-feira (27). Araqchi pediu que a organização condene os dois países pelo ataque aéreo em Minab, que segundo o regime, deixou cerca de 175 mortos. O chanceler afirmou que o episódio seria parte de uma “intenção clara de cometer genocídio”.
A acusação ocorre em meio à escalada de violência dentro do próprio Irã, onde a repressão estatal contra manifestações populares tem resultado em milhares de mortes. Segundo o Centro Internacional para Direitos Humanos no Irã, os protestos iniciados em dezembro, motivados pela alta da inflação e pelo fechamento de estabelecimentos comerciais em Teerã, se espalharam por diversas cidades e envolveram diferentes segmentos da sociedade. Testemunhas relataram que forças de segurança perseguiram manifestantes até dentro de suas casas, disparando contra civis que buscavam refúgio.
O ataque em Minab, atribuído preliminarmente a erro das forças armadas dos EUA, foi descrito por Araqchi como “crime de guerra e contra a humanidade”. No entanto, a repressão interna do regime iraniano tem sido marcada por perseguições brutais e execuções sumárias, com relatos de disparos contra cidadãos desarmados. A crise econômica agravou o cenário, após o banco central suspender um programa de acesso a dólares subsidiados, o que provocou aumento imediato nos preços de produtos básicos como óleo de cozinha e frango, intensificando a revolta popular contra o regime.









