A Força Aérea Brasileira (FAB) impôs sigilo de até 100 anos sobre informações relacionadas aos passageiros do jato particular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, impedindo o acesso a registros que poderiam esclarecer quem utilizou a aeronave durante um período relevante para as investigações envolvendo o banqueiro. A informação foi revelada nesta quinta-feira (15) pelos jornalistas Tácio Lorran e Mateus Salomão, do portal Metrópoles. A decisão chama atenção pela extensão da restrição e pela repercussão do caso Master, que envolve suspeitas de irregularidades financeiras e relações do empresário com figuras influentes do país.
O pedido apresentado com base na Lei de Acesso à Informação solicitava dados sobre os planos de voo da aeronave de prefixo PS-FST entre 10 e 20 de novembro de 2025. Nesse intervalo, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos quando se preparava para viajar a Malta em um Falcon 7X. Para justificar a negativa, o Comando da Aeronáutica invocou o artigo 31 da legislação, que protege informações pessoais por até um século. A FAB argumentou que a divulgação dos itinerários permitiria identificar passageiros e reconstruir seus deslocamentos. Embora a proteção da privacidade esteja prevista em lei, a restrição também impede o exame público de possíveis vínculos entre os ocupantes do avião e pessoas com responsabilidades institucionais.
O episódio contrasta com uma promessa feita por Lula durante a campanha de 2022, quando criticou o uso do sigilo centenário pelo governo de Jair Bolsonaro e prometeu acabar com a prática. Segundo o Metrópoles, outros órgãos federais, como Exército, Banco do Brasil e Secretaria de Comunicação da Presidência, também recorreram à proteção de dados pessoais para negar informações. Desde 2023, aproximadamente 5,6 mil pedidos foram recusados com esse fundamento, embora muitos envolvam dados privados de cidadãos comuns.

