O cientista político Bruno Soller, da Real Time Big Data, avaliou que Flávio Bolsonaro (PL) tornou-se “extremamente favorito” no segundo turno e chegou a classificá-lo como “virtual presidente” diante da dificuldade de Lula encontrar votos suficientes para reverter o resultado de domingo. Em entrevista a O Antagonista, Soller afirmou que parte relevante da migração eleitoral esperada apenas para a segunda rodada já ocorreu no primeiro turno, reduzindo o espaço disponível para crescimento do petista. A avaliação é do analista e não constitui projeção oficial de resultado da Real Time Big Data.
Segundo Soller, Lula precisaria conquistar aproximadamente 65% dos votos dados no primeiro turno às candidaturas que ficaram fora da disputa para conseguir virar o quadro, movimento que classificou como “basicamente impossível”. O analista também rejeitou a hipótese de que a elevada abstenção represente, por si só, uma reserva de votos capaz de favorecer o petista. Para ele, parte desses eleitores decidiu conscientemente não comparecer ou anular o voto, enquanto outra parcela está concentrada em regiões onde candidaturas alternativas tiveram desempenho relevante. Antes das urnas, a última pesquisa Real Time Big Data apontava Flávio com 46% e Lula com 45% numa eventual segunda rodada, dentro da margem de erro de dois pontos.
Soller atribuiu a vantagem conquistada por Flávio menos a um crescimento excepcional do candidato do PL do que à rejeição acumulada pelo atual governo. Na avaliação do cientista político, eleições presidenciais submetem quem ocupa o Planalto a um julgamento direto sobre a própria gestão, e a reprovação de Lula medida ao longo do mandato teria limitado sua capacidade de expansão. O diagnóstico de Soller agora será confrontado com as primeiras pesquisas realizadas integralmente após o primeiro turno, que poderão medir como os eleitores das candidaturas eliminadas, os indecisos e aqueles que não compareceram estão se posicionando para a votação de 25 de outubro.

