A nova composição do Senado já provocou uma mudança de postura nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF), onde ministros passaram a defender diálogo com setores do bolsonarismo diante do risco de processos de impeachment a partir de 2027. Segundo apuração da CNN Brasil, o crescimento do PL e da direita gerou preocupação na Corte e tornou difícil ignorar a possibilidade de afastamento de ministros. O partido de Flávio Bolsonaro, porém, rejeita um eventual “acordão” e mantém Alexandre de Moraes como principal alvo.
A pressão vem diretamente da nova correlação de forças criada pelas urnas. A direita chegará a 2027 com 49 votos favoráveis ao impeachment de Moraes, cinco abaixo dos 54 necessários para afastar um ministro do Supremo. Uma ala da própria Corte calcula que aproximadamente 50 integrantes do novo Senado defendem impeachment de ministros. O movimento eleitoral ocorreu após candidatos da direita transformarem críticas ao STF e, em diversos casos, a saída de Moraes em bandeira política, fortalecendo no Senado um grupo com poder para levar essas propostas adiante.
Flávio Dino também entrou no radar do PL. Segundo o analista Caio Junqueira, da CNN, a legenda avalia avançar contra o ministro caso ele conduza determinadas investigações sobre suposta interferência estrangeira nas eleições ou mantenha sob sigilo apurações envolvendo emendas parlamentares. Paralelamente, integrantes do STF identificam a necessidade de construir interlocução com a nova maioria, enquanto o entorno de Flávio Bolsonaro recebeu acenos interpretados como tentativa de entendimento institucional. A posição do PL, até agora, é não negociar a permanência de Moraes e preservar a possibilidade de levar processos de impeachment ao Senado em 2027.

