Trump recebe Xi em Washington com Taiwan e guerra comercial no centro da agenda

Redação 011
3 Min
Trump recebe Xi em Washington com Taiwan e guerra comercial no centro da agenda
foto: Xinhua/Yan Yan

O presidente da China Xi Jinping iniciou uma visita de Estado aos Estados Unidos para uma nova rodada de negociações com o presidente Donald Trump, em Washington, em um encontro que coloca Taiwan, comércio e tecnologia no centro da relação entre as duas maiores economias do mundo. Xi chegou aos EUA na quarta-feira (23) e foi recebido nesta quinta-feira (24) na Casa Branca. Embora não sejam esperados grandes acordos, Washington e Pequim buscam preservar a trégua comercial negociada desde 2025 e impedir que as divergências estratégicas voltem a escalar. Taiwan é o ponto mais sensível: Xi deve pressionar Trump a interromper vendas de armas à ilha, enquanto um pacote norte-americano de aproximadamente US$ 14 bilhões permanece suspenso e é tratado pelo presidente dos EUA como instrumento de negociação com Pequim.

A economia ocupa outra parte decisiva da agenda. EUA e China já concordaram em estender até 10 de janeiro a trégua que interrompeu uma guerra comercial na qual tarifas chegaram a ultrapassar 100%, e podem avançar em redução de algumas barreiras, combate ao tráfico de drogas e retomada do diálogo militar. Trump também tenta obter compromissos chineses para ampliar compras de soja, sorgo, carnes e outros produtos agrícolas norte-americanos. Pequim, porém, diversificou seus fornecedores e passou a depender mais de países como o Brasil, o que reduziu a capacidade de pressão dos agricultores americanos. Terras raras e inteligência artificial também estão no centro das conversas: os Estados Unidos ainda dependem fortemente do processamento chinês desses minerais, essenciais para armas, automóveis, computadores e outras tecnologias estratégicas.

O Brasil não aparece como tema formal confirmado da reunião entre Trump e Xi, mas os resultados podem ter consequências diretas para o país. Uma eventual retomada mais forte das compras chinesas de produtos agrícolas dos EUA poderia aumentar a competição com exportadores brasileiros de soja, enquanto a disputa por terras raras também alcança o Brasil, que possui reservas relevantes e já atrai investimentos norte-americanos no setor. Ao mesmo tempo, Pequim mantém aproximação política com Brasília: dias antes da viagem de Xi, o chanceler chinês Wang Yi recebeu o assessor especial da Presidência Celso Amorim e discutiu cooperação em inteligência artificial, Brics, América Latina, Ucrânia e Oriente Médio. Na visita a Washington, porém, Taiwan, comércio, inteligência artificial, minerais críticos e a guerra envolvendo o Irã aparecem como os temas de maior repercussão internacional.

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