Maria Corina Machado desembarcou em Washington tentando provar ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ainda pode ter relevância no futuro da Venezuela. Após a captura de Nicolás Maduro e sua esposa em operação conduzida pelos norte-americanos, a líder dos partidos políticos da oposição ficou de fora da transição e agora aposta todas as fichas em uma reunião com Trump. Se não conseguir convencê-lo de que tem utilidade política, corre o risco de ser lembrada como mais uma figura da oposição que prometeu derrotar o chavismo e fracassou.
Nos últimos doze meses, Machado viu sua trajetória perder força. Em Caracas, buscava mobilizar a população contra Maduro, que iniciava um terceiro mandato após eleições fraudadas. No entanto, quando os Estados Unidos retiraram o ditador do poder e o levaram a Nova York para enfrentar acusações de narcotráfico e narcoterrorismo, não foi ela quem recebeu o respaldo de Trump. O comando em Caracas foi entregue a Delcy Rodríguez, vice-presidente do regime e aliada histórica de Maduro, frustrando as expectativas de Machado e deixando-a em segundo plano.
Agora, a Nobel venezuelana tenta recuperar espaço político diante de um cenário adverso. Assessores próximos a Trump, como Roger Stone, já a classificaram como parte de uma “falsa oposição”, e na Casa Branca é lembrado que ela se alinhou a Joe Biden e Kamala Harris nas eleições passadas contra o atual presidente. Sem apresentar alguma proposta pública de como ela resolveria a crise venezuelana, Maria Corina arrisca seu futuro político ao depender da decisão de Trump. Caso não consiga convencê-lo, poderá ser vista como mais uma voz da oposição que não conseguiu transformar discurso em poder, repetindo o destino de Juan Guaidó, Henrique Capriles e Leopoldo López.











