O Brasil registrou queda de 38% nas exportações para os Estados Unidos em outubro, acumulando o décimo mês seguido de déficit comercial com o país norte-americano. A retração ocorre em meio ao tarifaço de 50% imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre cerca de 36% das vendas brasileiras. Apesar do encontro entre Trump e Lula no fim do mês passado, o líder da esquerda não avançou em negociações concretas para reverter as sobretaxas, ignorando demandas políticas que poderiam destravar o diálogo bilateral.
O saldo negativo com os EUA chegou a US$ 1,76 bilhão em outubro, resultado de US$ 2,21 bilhões em exportações contra US$ 3,97 bilhões em importações. No acumulado do ano, o déficit já ultrapassa US$ 7 bilhões, um aumento superior a 400% em relação a 2024. Trump tem vinculado a revisão do tarifaço à concessão de anistia política aos envolvidos na suposta trama golpista contra Lula, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O presidente norte-americano também criticou a censura imposta pela justiça brasileira a cidadãos e residentes dos Estados Unidos, apontando que essas medidas comprometem a confiança entre os países.
Enquanto o Governo Lula não sinaliza disposição para atender às exigências de Trump, o Brasil vê suas exportações aos EUA encolherem, mesmo com crescimento nas vendas para China (+33,4%), Mercosul (+14,3%) e Europa (+7,6%). A balança comercial geral teve superávit de US$ 6,96 bilhões em outubro, mas o saldo acumulado do ano caiu 16,6% frente a 2024. O Governo Federal anunciou uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para empresas afetadas pelo tarifaço, sem apresentar soluções diplomáticas para reverter as sanções impostas por Washington.








