O ministro André Mendonça decidiu na última quarta-feira (18) manter o ritmo da Operação Compliance Zero. Ao prorrogar o inquérito por mais dois meses, o magistrado validou a tese da Polícia Federal de que a organização criminosa liderada por Daniel Vorcaro continua ativa e perigosa. O foco agora é desmantelar a rede de blindagem que envolvia desde policiais aposentados até servidores do Banco Central.
A decisão de Mendonça traz detalhes perturbadores sobre como o grupo operava:
Espionagem e monitoramento: Investigados como Luiz Phillipi (o “Sicário”) e o PF aposentado Marilson Roseno são acusados de vigiar pessoas e obter informações sigilosas de sistemas públicos para beneficiar o banco.
Empresas de fachada: O STF determinou a suspensão imediata de empresas vinculadas ao grupo que, segundo o ministro, não geravam empregos, mas serviam exclusivamente para ocultar a origem ilícita dos recursos.
Infiltração no Banco Central: A investigação aponta uma “interlocução direta” de Vorcaro com servidores responsáveis pela supervisão bancária, o que levanta dúvidas sobre a fiscalização do sistema financeiro nacional. A prorrogação do inquérito pelo ministro André Mendonça não é apenas um trâmite processual. O que surpreende a investigação não é apenas o montante desviado, mas a audácia de uma organização que, segundo a Polícia Federal, mantinha “serviço de inteligência” próprio para vigiar autoridades e infiltrava seus tentáculos dentro da estrutura de fiscalização do Banco Central.

