Durante acareação realizada nesta terça-feira (24) no Supremo Tribunal Federal (STF), o general Walter Braga Netto confrontou diretamente o tenente-coronel Mauro Cid e o acusou de mentir ao afirmar que teria recebido dele uma sacola com dinheiro em espécie no Palácio da Alvorada. Segundo a defesa de Braga Netto, o ex-ministro disse “em duas oportunidades” que Cid mentia e observou que o delator manteve a cabeça baixa durante toda a sessão. O objetivo do encontro, autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, foi esclarecer as contradições nos relatos sobre um suposto financiamento a atos considerados golpistas.
Mauro Cid, por sua vez, reafirmou que recebeu a quantia em uma embalagem de vinho e estimou o valor com base no peso do pacote, alegando não ter visto o conteúdo por não ter aberto a sacola. O militar ainda afirmou que o episódio não foi mencionado anteriormente por estar abalado com a prisão de colegas. Já Braga Netto sustentou que apenas encaminhou ao PL um pedido de Cid por recursos, mas negou ter entregue qualquer valor, acrescentando que a solicitação foi recusada pelo partido.
A acareação durou cerca de uma hora e meia e não foi gravada, após negativa de Moraes à solicitação da defesa do general. Segundo o relator, o veto visa evitar “pressões indevidas e vazamentos”. A advogada de Cid, Vânia Bitencourt, negou contradições na fala de seu cliente e minimizou o embate: “Foram só dois pontos controvertidos”. O episódio faz parte das investigações que envolvem, entre outros temas, a delação de Cid sobre tentativa de golpe de Estado, e tem impacto direto nas acusações movidas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados próximos.










